Ressacas do verão

Portugal cai no ranking da UEFA, mas é rei nas transferências para outros países. Um paradoxo ou um alerta?

No país do oito e do 80, uma notícia podia ter marcado a semana não fosse essa outra sobre Rui Rangel e a forma enviesada com que, no caso pessoal, mostrou acerto ao dizer que os juízes eram a "classe menos confiável em Portugal". Tem, obviamente, direito à presunção de inocência, mas por agora e pelo que foi tornado público (por quem deveria zelar pelo segredo de justiça) prová-la não se afigura simples. O mediatismo dos envolvidos, com Veiga e Vieira a fazerem a ligação à omnipresença do futebol na vida lusitana, tiraram protagonismo à tal outra notícia, que Carlos Tê fez o favor de recuperar na última página desta edição: o lucro dos clubes portugueses com transferências internacionais em 2017 esteve perto dos 570 milhões de euros. Mas este dado assombroso tem um lado crítico que não pode ser desprezado dentro do conceito "keep the customer satisfied". E os clientes só se manterão satisfeitos se o produto que pagam (a peso de ouro) for bom. André Silva, Lindelof, Mitroglou e Rúben Semedo são quatro dos membros do "top 10" e cujas vendas somaram 102 milhões de euros. São discutidos, não são indiscutíveis e o central ex-Sporting até tem sido notícia por razões extrafutebol. O "top 5" do ano anterior também dá que pensar: João Mário, Renato Sanches, Slimani, Guedes e Gaitán renderam 160,5 milhões, mas tiveram de descer um degrau para não se apagarem, à exceção do argentino, que nem conta no At. Madrid... Com a decrescente competitividade europeia das equipas nacionais e o acesso à mina da Champions mais estreito, só faltava que o "produto nacional" começasse a ganhar má fama nos mercados compradores.

Referência final para os Jogos Olímpicos de Inverno e como, com a aproximação aos vizinhos do Sul, o regime norte-coreano parece ter arranjado forma de atirar com o odioso do conflito político e da corrida ao armamento para o lado do regime norte-americano. Como sublinha aqui ao lado o embaixador português em Seul, convém sermos prudentes, mas se as duas Coreias entrarem mesmo de mãos dadas no desfile de abertura é coisa para pôr Trump a fazer beicinho...