Improvável não é impossível

CONTRA-GOLPE - Um artigo de opinião de João Araújo.

1 A vitória portista sobre o Vizela, ontem, deixou bem patente o carácter de ambas as equipas - se o FC Porto teve de ir ao fundo das suas forças para dobrar os minhotos e dar mais um passo ruo ao título, o melhor elogio que se pode fazer aos jogadores de Álvaro Pacheco foi terem forçado o líder da liga a esse esforço extra depois de ter estado a ganhar por 2-0 e se ter visto empatado a dois.

É difícil perceber o porquê de uma equipa que trata tão bem a bola e por tu todos os adversários estar numa situação delicada na zona baixa da tabela; ao mesmo tempo, entende-se por que são os dragões que a comandam: quais seriam as probabilidades de ser Mbemba, um defesa-central, a desbloquear uma vitória em casa? E no entanto...

2 Amorim e o grupo ou, melhor, Amorim é o grupo - assim poderia sintetizar-se a relação do treinador com o plantel do Sporting, no fundo, o estilo de liderança. O crescimento da equipa confunde-se com o do técnico, seja na mentalidade competitiva e em como vão conhecendo as armadilhas nos caminhos rumo aos troféus, seja na vertente desportiva. Aqui, e para usar um termo na moda, aumentou a variabilidade de jogo dos leões, até para, neste "Ano II", fazer face ao desaparecimento do efeito surpresa, que ajudou - e de que maneira - à conquista do último. Não é por acaso que se diz ser mais difícil manter-se no topo do que lá chegar.

O Sporting de Rúben Amorim (e o Rúben Amorim do Sporting) demonstrou ser bastante mais do que um fenómeno "pop", daqueles efémeros, tipo "mastiga e deita fora", e para isso foi fundamental levar à prática a frase feita de ter o grupo na mão. Amorim transmite a ideia de ser uma espécie de irmão mais velho, de pose séria mas piada pronta, porém, daqueles que não dão abébias. O caso com Slimani é exemplar, pela atitude do treinador em todo o processo, não só no momento em que se mostrou inflexível perante a perturbação do equilíbrio da "família" por parte do argelino, mas - e apetece escrever "sobretudo" - igualmente agora que, dando a saída por consumada, fez questão de meter qualquer polémica na gaveta. Sem alarido e com o argumento de evitar prejuízos para a carreira do avançado. Também é assim que se ganham e fortalecem grupos. E o mesmo faz a versão atualizada do "jogo a jogo" da época passada: mostrar esperança em lutar pelo título até ao fim, embora afirmando acreditar pouco...