E que tal um trio na Champions?

João Araújo

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Dias depois de ter sido falado mundo fora pelos piores motivos, o futebol português não está longe de fazer história na Europa.

Parece bruxedo! Pela terceira jornada consecutiva, um golo de Musa não serviu para inspirar o regresso do Boavista aos triunfos.

O empate, apesar de tudo, pôs fim a uma sequência de três derrotas, que era a pior das atuais séries na I Liga.

O efeito da chicotada psicológica ou o efeito-Petit (há jogadores e treinadores que parecem feitos para determinado clube, o que neste caso vale a duplicar) ontem não bastou, tornando-se evidente que há mais para ser trabalhado do que a psique dos jogadores ou índices de intensidade.

O dérbi de Lisboa teve o condão de acentuar o défice de atenção do futebol português ao tirar o denominado "jogo da vergonha" da linha da frente mediática e foi mais um rombo, e dos grandes, no balão de confiança das águias, progressivamente a desinflar desde a goleada ao Barcelona... Como se esse voo as tivesse levado demasiado perto do sol, de onde a queda é sempre maior. O momento, com uma decisão na Champions já ao virar da esquina, é como aquelas encruzilhadas no caminho onde se vira para o destino desejado ou se vai... ao engano. A vantagem aqui é os protagonistas terem uma palavra a dizer.

A perspetiva dos vencidos do dérbi não pode, logicamente, ofuscar a glória dos vencedores. O Sporting enviou uma mensagem de força à concorrência, como se as pedras nucleares Palhinha e Coates não fizessem falta... Essa já muito escalpelizada vitória na Luz, embora não pareça, tem muito a ver com a ironia de Sérgio Conceição depois de o FC Porto ter ganho em Portimão - ele e Rúben Amorim não são só grito nem só estrelinha, como é óbvio, mas trabalho e qualidade. Isso e o momento das outras equipas envolvidas nessa guerra fazem pensar ser possível uma inédita tripla presença lusa nos "oitavos" da Champions. O que não deixaria de ser contraditório com a imagem que a liga projetou no mundo na última semana.