E agora, um banco sem os agitadores

E agora, um banco sem os agitadores

A qualidade do plantel do Sporting ficou ontem patente, olhando a quem supriu as muitas baixas. Mas depois faltaram as cartas na manga.

1 Na escassez é quando melhor se percebe como são bons os tempos de vacas gordas e se lhes dá mais valor. Rúben Amorim, já se percebeu, é mais do estilo de apontar às soluções em vez de ficar a remoer nos problemas, mas até um espírito prático e positivo como ele terá sentido o cérebro fugir para o mais comum dos pensamentos durante a dura batalha dos Barreiros de ontem - que falta fazem no banco os agitadores.

É lá, e não no onze, que eles pertencem e todas as equipas precisam de alguns exemplares assim a quem recorrer em caso de aflição. E os grandes precisam de mais! Sem Pote, Sarabia, Palhinha e Feddal, Amorim meteu de início Ugarte, Daniel Bragança, Slimani e Nuno Santos, qualquer um deles com qualidade para ser titular mas não todos em simultâneo. Pelo menos em condições normais. Por isso, depois, quando foi preciso jogar os trunfos (ou meter a carne toda no assador, como gosta de dizer JJ), havia Edwards e Vinagre. Não é exatamente a mesma coisa.

Hoje veremos se a ressaca europeia faz bem a FC Porto e Benfica e se aproveitam o deslize do leão, sendo que em ambos os casos o adversário é complicado. Mas, vendo bem, estamos no último terço do campeonato, haverá algo que seja fácil, agora?

2 E se Sá Pinto, que vai carregar toda a vida a cruz de ter agredido Artur Jorge e lhe será atirado à cara sempre que falar de violência, tiver razão? Estarão os árbitros com o dedo do gatilho demasiado ligeiro? Será o puxar do cartão a primeira linha de ação, em vez do diálogo e da compreensão dos momentos do jogo e pós-jogo? Claro que peitar um adversário está para lá da troca acesa de palavras em contexto de frustração, mas nem apitar à inglesa na versão portuguesa (fechar os olhos a entradas que são maldosas e não duras) nem disparar o cartão à primeira oportunidade.