As palavras não são um loto

João Araújo

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O discurso de Jorge Jesus está longe de ser um jogo de azar. São tiros certeiros, disparados após Lopetegui falar, que contrariam a imagem que tenta passar

Para ganhar vale tudo, disse uma vez a O JOGO o então treinador do FC Porto José Mourinho, num discurso guerrilheiro que, possivelmente, a versão mais relaxada e muito mais rica em troféus do agora Happy One terá dificuldade em rever-se. Com a entrada do campeonato português na reta final, essa frase de Mourinho readquire relevância: há muito a ganhar e muito mais a perder, porque - diria La Palisse - o primeiro lugar é só para um!

Não é de agora que o campeonato extravasou as quatro linhas e o jogo falado entrou em cena. E em força. Por muito que Jesus insista em desviar atenções, como quando garante não saber jogar a este loto... das palavras. Até porque reconheceu, depois, só se enganar nos nomes quando quer. Mais: na entrevista ao "Sol", o treinador do Benfica elogiou qualidades humanas como coragem e capacidade de liderança de Lopetegui, acrescentando que "a qualidade como treinador é outra coisa".

O jogo de palavras não é estranho a Jesus e ele não as emprega ao acaso, usa-as com precisão de "sniper", ao contrário do que chega a fazer crer. Permite pensar que as aulas que se disse ter recebido em tempos com o intuito de melhorar a dicção e a imagem incidiam também (sobretudo?) no conteúdo.

Para ganhar vale tudo, mesmo que uma parte importante não se traduza em pontos. Os jogos de palavras também têm vencedores, derrotados e eco nos balneários.