A pedalar contra a nortada

João Araújo

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O início da segunda volta frustrou as intenções de águias e guerreiros reentrarem no trilho da retoma e reencontrarem o seu melhor jogo.

Benfica e Braga começaram a segunda volta do campeonato no mesmo tom errático em que passaram os últimos jogos.

No caso do Benfica, as duas derrotas no Dragão (foram causas ou sintomas de crise?) parecem ter deixado cicatrizes na confiança da equipa que Nélson Veríssimo ainda não conseguiu amaciar. As águias estão numa espécie de limbo existencial, entre a fé na possibilidade de alcançarem a dupla que segue à frente e a incapacidade de concretizarem o salto exibicional (e de resultados) que possibilite essa aproximação. Podem sempre esperar que os deuses do futebol lhes sorriam e não permitam que Sporting e FC Porto vençam hoje em Vizela e no Jamor, mas isso não é cumprir a parte do trabalho que lhes compete.

Daí a insistência do treinador na tecla da luta pelo título ser uma hipótese real e não imaginária - tenta, dessa forma, manter o plantel concentrado e sob tensão competitiva. E essa questão do discurso leva ao caso do Braga, que no último mês, nas várias competições, ganhou duas vezes, empatou uma e perdeu quatro. Já se sabe que culpa e responsabilidade são coisas diferentes: o treinador assume as responsabilidades mas não é ele que está dentro de campo. Pergunto-me, porém, que efeito terá o argumento recorrente de Carvalhal da aposta e rentabilização da formação num plantel recheado de qualidade e jogadores experientes, que nesta altura certamente aspiraria a lutar por mais do que o quarto lugar... Num e noutro caso, discursos dos treinadores à parte, os últimos jogos devem ter deixado nas duas equipas a mesma sensação de quem pedala contra o vento.

Contrariar a corrente de um futebol profundamente desequilibrado (a distância pontual do último à Europa é idêntica à do terceiro ao primeiro lugar!) é também o que estão a fazer Mafra e Tondela na Taça. Um deles estará na final, diante de um grande, e num só jogo, ainda para mais tratando-se de equipas que tratam bem a bola, o chavão dos três resultados que há no futebol faz todo o sentido.