Trivela teleguiada

A regra essencial do futebol: se te chamas Cristiano, podes jogar a cara do adversário com o cotovelo; se o teu nome for Cédric, não podes jogar a bola com o ombro

Escovas de dentes elétricas, Crocs e vuvuzelas. Três das piores invenções de sempre. Preferia que os adeptos iranianos tivessem lavado os dentes no estádio, calçados com tamancos de borracha, em vez de bufarem naquele instrumento do demo. Os primeiros minutos do jogo trouxeram bons indicadores, a equipa do Irão parecia eu e o meu marido a jogar padel: discutimos todo o tempo enquanto o outro par nos ganha. Só aos 45 minutos Portugal tirou proveito disso, Quaresma fez magia e percebemos finalmente que "trivela teleguiada" é aquela de que fala no anúncio! Foi o único momento relevante numa primeira parte em que, do nosso lado, só se destacaram os boxers com padrões do Raphael Guerreiro. Numa reta final imprópria para cardíacos, e para portugueses, o árbitro demorou-se tanto no VAR que pensei que estivesse a ver o último episódio da Casa de Papel. E veio relembrar-nos a regra essencial do futebol: se te chamas Cristiano, podes jogar a cara do adversário com o cotovelo; se o teu nome for Cédric, não podes jogar a bola com o ombro. Num desafio em que Portugal voltou a apostar num 1-4-2, com apenas um defesa, Pepe, tivemos sorte sem merecer, o que me deixa com medo do "karma". Podemos vir a ter muito azar no futuro. Azar ao nível de voltarmos a ser treinados por Carlos Queiroz.