Limpinho, limpinho

Perder tempo, engonhar, simular uma cãibra no mindinho, fazer uma falta útil sobre Courtois, impedindo-o de lançar o contra-ataque... Nada disto passou pela cabeça dos japoneses

90+4. Bélgica e Japão estão empatados, depois de os nipónicos terem tido dois golos de avanço. Os pupilos de Akira Nishino ganham canto e o que fazem? Marcam-no, normalmente. E nem sequer estão a perceber esta pergunta. Para começar porque está em português, e depois porque é impossível escrever manha com caracteres japoneses. Perder tempo, engonhar, simular uma cãibra no mindinho, fazer uma falta útil sobre Courtois, impedindo-o de lançar o contra-ataque... Nada disto passou pela cabeça dos japoneses. São demasiado bons para o futebol: muito limpinhos num desporto em que jogar sujo compensa. Takashi Inui e companhia são tão corretos dentro de campo como no balneário, a esfregar o chão com Sonasol. Foram imaculados neste Mundial, e foi por isso que no melhor pano caiu a nódoa. Na Rússia, os japoneses tentaram servir sashimi de barriga de atum a comensais habituados àqueles restaurantes farta-brutos, com rodízio. Valeu pela coragem. Este fair play e educação não me surpreendem, lembram-me uma viagem que fiz ao Japão, e as 500 vénias com que fui brindada todos os dias. E foi precisamente enquanto os japoneses se curvavam que os belgas aproveitaram para marcar no contragolpe. De qualquer forma, o Japão tem motivos para levantar a cabeça, essa expressão tão típica do futebol.