Domingo de sonho

Países pequenos, com místers que rezam o terço, são os mais perigosos

Hoje podia ser um domingo sem neura. Nem este inverno em julho nos afetaria. Cantarolávamos no duche aquela do "foi o Éder que os f..", recebíamos amigos em casa. Aos 90", Portugal e França empatavam a zero. Os gauleses tinham suores frios só de pensar no prolongamento. Era preciso bombear bolas para a área. Fernando Santos mandava aquecer Anthony Lopes para ter altura na frente (deixem-me sonhar). Lopes entrava e fazia golo. O estádio vinha abaixo (mas só porque havia muitos franceses a sair ao mesmo tempo, portugueses a festejar eram só três). Portugal era campeão do mundo e citava o grande pensador que outrora disse: "É importante os adversários começarem a dar mais luta." Era bom, não era? Mas entretanto acordamos. Estamos no sofá, sozinhos, a ver o "Fama Show" enquanto não começa a final, conscientes de que a França ganhará. Nem é pelos jogadores ou pela maior frescura. É porque ouvimos Pogba assumir que, frente a Portugal, pensavam que eram favas contadas (esse prato tão típico). Parecem ter aprendido com o erro. Desculpem, Croácia, estragámos-vos o esquema, eles agora já sabem que os países pequenos, com místers que rezam o terço, são os mais perigosos. Mas boa sorte na mesma.