Discoteca Mundial

Agora é tempo de sopas e descanso. Ficamos no sofá com uma mantinha, a ver um filme, ou um Suíça-Suécia. Pensando bem, prefiro o filme

Um Mundial sem Itália e Holanda, e do qual já saíram Alemanha, Argentina, Espanha e Portugal, parece uma daquelas discotecas que, em tempos, estiveram na moda, e agora vivem dias (e noites) de decadência. Aqueles estabelecimentos sobre os quais se diz "aquilo agora é só putos". Nunca percebi este argumento, usado para criticar certas discotecas. Os miúdos até trazem animação, o que acontece é que as pessoas não gostam de ser confrontadas com a sua própria velhice. Não queremos conviver com garotos que aguentam dançar até às sete da manhã, nem com um Mbappé que bisa com uma perna às costas. Foi por isso que Messi e Ronaldo resolveram ir para casa mais cedo (nem pararam na roulotte para uma bifana). Foram sensatos: é melhor sair com dignidade do que ser expulso por um porteiro armado em parvo, tipo Antoine Griezmann. A discoteca do Mundial parece o Rock in Rio. Se um tem Ivete Sangalo e Anitta, o outro tem Neymar e Firmino. Ambos têm Marcelo Rebelo de Sousa, claro. Daqui para a frente só vai dar axé e funk, mas pelo menos o DJ nunca mais vai passar aquela do Shawn Mendes, com umas frases em português atabalhoado lá pelo meio. Agora é tempo de sopas e descanso. Ficamos no sofá com uma mantinha, a ver um filme, ou um Suíça-Suécia. Pensando bem, prefiro o filme.