O tremendo desafio de treinar o histórico Santos

O tremendo desafio de treinar o histórico Santos

TÁTICA DO PROFESSOR - A crónica semanal de Jesualdo Ferreira

1 - Será a partir desta peculiar e simpática cidade portuária de Santos, neste imenso estado de S. Paulo, que passarei a fazer estes meus artigos aos domingos, em convívio com os leitores de O JOGO.

E porque este é o primeiro feito desde aqui, deixem-me falar deste novo desafio da minha vida, da minha carreira que muitos pensavam que tinha chegado ao fim. Eu tive sempre a secreta esperança de surgir um projeto agradável, e não podia ter surgido melhor.

O Santos é um clube histórico do futebol mundial, que começou a crescer mais ainda quando teve um menino tornado homem chamado Pelé. Foi com um imenso orgulho que ouvi o convite, foi com enorme orgulho que o aceitei, e ao aceitá-lo entrei num dos grandes desafios da minha carreira, não o maior, porque para trás tive outros igualmente grandes.

E, ao cabo de uma semana a trabalhar neste clube, é com satisfação que verifico que estou realmente numa extraordinária estrutura, onde não falta nada. Excelentes condições de trabalho, boas pessoas, bons profissionais em todas as áreas. Eu sei que este texto pode parecer um exagero pelo rol de elogios, mas acreditem que vim encontrar exatamente aquilo que imaginava deste clube, uma excelente organização.

2 - O primeiro embate aqui foi com a Imprensa, que é bem mais agressiva do que em Portugal. Mas julgo que me saí bem, respondendo a todas as perguntas, o que não foi difícil porque no meu discurso de apresentação abordei todas as questões e eliminei, aí mesmo, alguma curiosidade.

A Imprensa é agressiva, mas é, ao mesmo tempo, muito simpática. Aliás, simpatia e carinho é coisa que encontramos aqui, basta dar uma volta pelas ruas de Santos e somos saudados pelos adeptos deste grande clube, com quem naturalmente contamos para nos ajudar nesta difícil tarefa.

3 - No próximo dia 23, iniciamos a competição a sério, com o primeiro jogo para o Paulistão, o campeonato estadual que é muito importante, porque nele estão as melhores equipas. O jogo de estreia é com o Bragantino, em Vila Belmiro, um palco cheio de história; há, claro, alguma ansiedade minha e de toda a equipa técnica pela estreia, mas nesta fase o objetivo é aproveitar o bom trabalho que foi feito na última época, dar os parabéns aos jogadores pelo brilhante segundo lugar alcançado no campeonato, conservar algumas ideias do treinador anterior, Sampaoli, porque eram muito boas.

E aos poucos iremos impondo as nossas ideias. Porque, sabem, neste clube temos de tentar ganhar o campeonato, é esse o objetivo, mas os pergaminhos do Santos, que já ganhou tudo em toda a história da sua vida, obrigam-nos a procurar fazer mais, deixar os adeptos orgulhosos. Sim, o desafio é tremendo, mas é um orgulho e um prazer. E vai começar uma extraordinária e intensa aventura, num quadro competitivo muito preenchido.