"Não pode haver pressa. O Santos há de chegar onde queremos"

"Não pode haver pressa. O Santos há de chegar onde queremos"

TÁTICA DO PROFESSOR - Mais um artigo de opinião de Jesualdo Ferreira. A estreia oficial no Santos em destaque, mas sem esquecer a realidade do Sporting em Portugal.

1 - É desagradável e triste ver o Sporting a navegar de novo num mar de tormentas. Depois da traumatizante derrota com o FC Porto, que, como escrevi aqui na passada semana, marcou decisivamente a forma como encarou o clássico com o Benfica, e, na sequência disso, ficou fora da final da Taça da Liga, perdendo com o Braga nos últimos minutos do jogo.

É, realmente, muita coisa má em cima de um grupo de trabalho, que mexe com as suas emoções e acaba por ter uma relação direta com as prestações dos jogadores, que não são insensíveis a estes momentos, por muito que os queiram contrariar, e tenho a certeza de que querem. Por esta série de resultados negativos, começa a perceber-se uma nova onda de contestação ao presidente, aos jogadores, ao treinador até. Ou seja, o Sporting está de novo mergulhado num mar agitado , onde não será fácil respirar. Na época passada, e depois de um defeso triste na sequência do episódio da Academia de Alcochete, o Sporting ainda conseguiu dois títulos, a Taça da Liga e a Taça de Portugal, merecidamente, mas, com este cenário de novo confuso, começa a ser cada vez mais difícil conquistar títulos.

Depois há o "efeito" Bruno Fernandes. Eu sei que um jogador não faz uma equipa, mas, neste caso, ajuda muito a compô-la, a dar-lhe dinâmica e perigosidade. Com a provável saída do médio (o sai-não-sai também não favorece em nada o grupo de trabalho e o próprio jogador, que começa a dar alguns sinais de incómodo) há mais um problema para resolver, porque nunca será um jogador fácil de substituir. É mais uma acha para uma fogueira que já vai muito alta. Sim, o Sporting entrou de novo numa fase difícil da sua longa história; não sei como poderá resolver estes problemas, mas tenho a certeza de que não será com mais demissões, manifestações, contestações, que vai conseguir ultrapassar este momento complicado.

É que não se sabe o que ainda vem por aí, sendo que a conquista do campeonato é um objetivo já fora do alcance, a Taça de Portugal e a Taça da Liga foram outros dois objetivos perdidos. Resta a Liga Europa, mas esse será o único objetivo em que se desculpará facilmente o insucesso. Sinceramente, acho que já todos vimos este filme e todos nos interrogamos como é possível que um clube coma dimensão do Sporting não encontra a paz necessária para lutar tranquilamente pelos objetivos importantes, como um título que lhe foge há tantos anos e que os adeptos tanto merecem.

2 - Alguns portugueses terão visto a a estreia do meu Santos no campeonato Estadual. Claro que o resultado não foi o mais agradável - um empate a zero, porque gosto mesmo é de ganhar - mas gostei de algumas coisas que a equipa fez, nomeadamente na primeira parte .Julgo que na segunda parte a equipa acusou um pouco o facto de só ter 18 dias de trabalho, contra um adversário que já trabalhava há mais tempo e que, apesar de ser uma equipa que vem de uma divisão inferior, fez um forte investimento. O Bragantino tem o apoio da Red Bull e investiu forte no plantel. Segue-se uma semana intensa, com três jogos, o primeiro já amanhã, com pouco tempo de recuperação. Esta uma nova realidade a que tenho de me habituar. Mas, como disse depois do jogo, não pode haver pressa. A equipa há de chegar onde queremos.