Jogar à porta fechada é triste e desagradável... Leva-nos a alma

Jogar à porta fechada é triste e desagradável... Leva-nos a alma
Jesualdo Ferreira

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TÁTICA DO PROFESSOR - Opinião de Jesualdo Ferreira

1 - À hora a que os meus estimados leitores estão a ler esta crónica já é conhecido o resultado do clássico entre o meu Santos e o São Paulo, que se jogou no Morumbi, à porta fechada, para prevenir contra a Covid-19. Na minha longa carreira já passei muitas vezes por essa experiência triste e desagradável de jogar sem público, sim, triste e desagradável, principalmente para os jogadores. No Egito, ao serviço do Zamalek, estive um ano inteiro a jogar sem público; na Grécia, no Panathinaikos, também me aconteceu; ainda na semana passada, para a Taça Libertadores, jogámos em Vila Belmiro, sem público, por questões disciplinares.

E percebemos como a equipa visitante se empolgou com isso... Os jogadores precisam do carinho do público, precisam da emoção que vem das bancadas, das sensações; o público é tão importante num jogo de futebol que, quando não está, quase temos saudades das vaias que por vezes ouvimos. Quando se diz que o público é o 12.º jogador não é em vão; vem de longe essa ideia e terá ganho mais força nos últimos anos, porque hoje há muito mais gente a ver futebol; o futebol dá uma dimensão alegre à nossa vida.

2 - Pois é, aqui no Brasil o futebol ainda não parou, porque há ideia de que o vírus não tem tanta perigosidade numa zona de muito calor, mas acredito que vá acabar por parar, como aconteceu numa boa parte do mundo e particularmente na Europa. Aqui chegado, digo que me toca imenso o que está a acontecer, porque estou preocupado com o meu país e com as dimensões que esta verdadeira catástrofe, porque podemos chamar-lhe assim, pode tomar.

Em Portugal, o futebol parou, e lamento por isso, mas acreditem que a situação é muito séria e tudo o que puder ser feito para combater este vírus tem de ser aceite com a consciência de que o nosso desagrado de hoje, porque é desagradável, pode ser o nosso sorriso amanhã. Não tenho ideia de ter acontecido uma coisa assim na história do futebol português, ou seja, estamos a enfrentar uma situação que é completamente nova para todos, desde dirigentes a jogadores.

Pela leitura das notícias, já percebi que os clubes pararam mesmo e que foram estabelecidos pelos técnicos planos de treino para serem feitos em casa. Nem podia ser de outra maneira. A tecnologia existente permite que se sigam os trabalhos dos atletas, mesmo num espaço fechado e particular. Noutros tempos, numa situação destas, seria impossível monitorizar os treinos individuais à distância. Não sabemos concretamente o que nos espera; desconhecemos qual vai ser o tempo de paragem, embora comecem a pairar cenários muito negros, que estimo muito que não se verifiquem.

Para todos os efeitos, as equipas têm de estar preparadas para a qualquer momento arrancarem de novo para a competição. Há muito a repensar, mas esse será agora o grande desafio de todos. Para já, resta uma opção: continuara a preparar o físico e esperar que o Homem consiga vencer, como tantas vezes o fez ao longo da história da humanidade, um vírus malvado que a todos nos deve preocupar.