Premium As fragilidades das equipas portuguesas na Europa

As fragilidades das equipas portuguesas na Europa
Jesualdo Ferreira

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TÁTICA DO PROFESSOR - O resultado do Benfica com o Zenit pode provocar até uma crise de confiança. A equipa continua sematinar na Champions e a história repete-se

1 A jornada europeia trouxe à evidência algumas fragilidades das equipas portuguesas, que são bem disfarçadas no nosso campeonato mas que são impossíveis de ocultar nas competições internacionais, com graves custos para as aspirações portuguesas de subir no ranking da UEFA, perdendo até num confronto direto com uma equipa da Rússia, que é o país que segue à nossa frente. O resultado do Benfica com o Zenit pode provocar até uma crise de confiança, porque a equipa continua sem atinar na Champions, e a história vai-se repetindo com uma frequência que não deixa os benfiquistas em sossego em relação ao futuro na competição. Depois da inesperada derrota com o Leipzig, era fundamental um bom resultado na Rússia, mas a equipa não foi capaz de ser superior e ficou numa posição muito desconfortável no grupo. Também o FC Porto surpreendeu pela negativa depois de uma boa vitória na primeira jornada. Na famosa "Banheira de Roterdão", defrontaram-se dois clubes que já foram campeões europeus, ou seja, têm pergaminhos, têm boas histórias para contar aos adeptos, mas, neste jogo em concreto, o Feyenoord assumiu claramente a supremacia do FC Porto, que foi e é superior, defendendo muito atrás e beneficiando de dois erros para ganhar o jogo. Mas o FC Porto não perdeu a corrida e tem ainda muitas condições para seguir em frente no grupo depois deste percalço.

Também ninguém contava que, depois da vitória em Inglaterra sobre o "português" Wolverhamprton, o Braga fosse empatar em casa com o Slovan Bratislava, perdendo a possibilidade de ficar muito confortável no grupo, de bater um recorde de vitórias seguidas nas competições europeias e de ganhar mais confiança para as competições internas. No caso do Braga, parece-me haver um evidente problema de equilíbrio, principalmente entre aquilo que é capaz de fazer fora de casa e o que (a)normalmente tem feito na Pedreira. Do vizinho V. Guimarães, apear das duas derrotas com equipas teoricamente superiores, há que destacar a maneira desinibida como defrontou os seus adversários, essencialmente a vontade de ganhar os jogos. Bateu-se olhos nos olhos, deixou para já uma boa imagem, mas a equipa e o seu treinador precisam de mais tempo. Finalmente, o Sporting, que depois de mais uma mudança de treinador alcançou duas vitórias, uma com o Aves e outra com o LASK, para a Liga Europa. Mas isto não quer dizer que os problemas estão resolvidos; o Sporting continua no meio de uma grave crise e esperemos que consiga quebrar este momento, porque o futebol português precisa de um Sporting forte.