Mudar para modo Maradona

Jacinto Lucas Pires

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Talvez o Lisandro possa entrar? E o Zivkovic, que é feito dele? Não sei, são só ideias. Com o Nápoles, vamos em modo Maradona, pode ser?

Luisão escorrega à entrada da área e Ghazaryan, o arménio do Marítimo, embrulha um golito logo aos cinco minutos. Um acidente... Não é preciso começarmos já a saltar em cima dos chapéus de coco, amigos. Calma, está tudo bem. Aliás, se cometo a indelicadeza de referir o falhanço do veterano faraó é só para sublinhar isso. Porque a má sorte do nosso central sintetiza bem o jogo inteiro, esta nossa primeira derrota. Nem foi bem um jogo, foi mais um azar desmedido em forma de futebol. Luisão escorregou literalmente e a equipa escorregou metaforicamente. Mas não passou disso. Só um escorregão...

Foi pena, claro, que tivemos uma mão-cheia de quases. Bolas à barra; bolas assobiando junto aos postes da baliza dos ilhéus mas do lado de fora; bolas a roçar num mindinho da luva do compridíssimo guardião maritimista; bolas prontas para beijar as redes que, no último momento, se encolhiam, tímidas, platónicas, deslizando para canto, desistindo da alegria. Foi pena, sim, mas, depois daquele começo meio sonâmbulo, até demos uns toques bonitos como é hábito. Parecíamos tomados de bom espírito, dispostos a riscar o "má" de "má sorte". Pelo menos, foi assim que eu interpretei o golo de Nelsinho: dança de corpo; velocidade para dentro; remate tão feliz que faz nascer uma bola de felicidade; desvio acidental, perfeito, de um Gonçalo Guedes a fugir no sentido contrário; plim, golo. É verdade, foi uma pena. Tanta alegria desperdiçada, não é, caros amigos?

Não há de ser nada, temos de seguir em frente. Mas, atenção - aqui, onde ninguém nos ouve, deixem-me dizer só uma coisinha mínima. Se queremos golear o Nápoles na terça-feira, temos de sair já-já-já da Turquia mental em que estamos refastelados como odaliscas matissianas. Neste percalço madeirense, também houve algo de "síndrome da segunda parte". Na primeira demos 6-0, e na segunda facilitámos... Não, temos de arregaçar as mangas e voltarmos a nós próprios. Pode ser? Para terminar, deixe-me dizer-lhe, míster, que gostei muito das suas declarações no final. Era fácil cair em cima da incompetência do árbitro e sacudir a água fria do capote, mas o Glorioso tem de estar acima disso. Bravo. Para dentro é que talvez seja bom mandar uns sinais, não? Talvez o Lisandro possa entrar? E o Zivkovic, que é feito dele? Não sei, são só ideias. Com o Nápoles, vamos em modo Maradona, pode ser?