Jonas é que é o verdadeiro clássico

Mas, regressando a Jonas: o brasileiro vinga semanalmente todos os cotas como eu

Já era fã de Jonas, mas, desde o passado domingo, ainda mais, caramba. Perdoem-me, caros amigos, estou a ultrapassar-me. Tenho de rebobinar o texto e começar mais de trás: há semanas, num desses momentos em que o otimismo se confunde com loucura, aceitei fazer parte de uma equipa de futebol de sete. Um torneio amigável a acontecer no futuro, quando tudo parece mais possível. Só que o futuro chegou... A nossa equipa, toda constituída por rapazes da idade do cronista, tinha a melhor farpela. Vestidos com o manto sagrado, versões do tempo de Eusébio, de Valdo, de Aimar - que coisa linda. O problema, percebemos à chegada, é que íamos jogar com malta de quinze anos. Lembram-se de assistir a jogos de solteiros contra casados, ou jovens contra veteranos, e rir a bandeiras despregadas? Pois: agora os veteranos éramos nós. Já passou uma semana, queridos leitores, e ainda sofro com dores nas pernas e mazelas no orgulho pela tristeza do espetáculo oferecido. Sim, pelo menos da minha parte, o futebol foi paupérrimo - e, apesar disso, que bom juntarmo-nos naquele retângulo de relva falsa armados em Maradonas.

O mundo parece doido, não é? As alterações climáticas deixaram de ser um "tema" para se transformarem numa realidade à nossa porta. Ora faz um sol desgraçado, ora desabam chuvas épicas, ora o vento despenteia a cidade como uma ideia maluca. Vinha nos jornais: esta semana, na Europa, houve lugares mais frios do que o Polo Norte... E não é só o clima propriamente dito. O clima metafórico também anda estranhíssimo. Sim, o mundo está doido, e o futebol, o desporto em geral, é um daqueles territórios de parêntesis onde devia ser sempre possível respirar. Vá lá, por favor, não nos estraguem isso.

Mas, regressando a Jonas: o brasileiro vinga semanalmente todos os cotas como eu. As parangonas falaram muito de um tal "clássico" - clássico é ele! Ontem, o jogo com o Marítimo estava encravado; Jonas recebe um passe de Almeida na esquina da área e - plim, de um momento para o outro havia uma goleada em movimento. Grimaldo marca o segundo, e depois Jonas faz uma obra de arte: no ar, um toque de acrobacia e magia, que golo-maravilha. E ainda deu para acabar com o enguiço dos penáltis com um tiraço ao ângulo. Sim, claro que Jonas tem lugar na seleção canarinha, mas o mais importante é que continue no Glorioso a ajudar à glória.