Aborrecimento, catrapumba

"Nessa altura, catrapumba: frango de Bruno Varela, um frango daqueles à antiga. Acontece aos melhores, pois, e quanto a isso não há muito a dizer", escreve Jacinto Lucas Pires, adepto do Benfica

O jogo na Luz com o CSKA Moscovo foi uma tristeza. Pomo-nos a ganhar no começo da segunda parte com um golo em "ic" - bela ideia de Zivkovic mais assinatura à matador de Seferovic - e depois deixámos os moscovitas darem a volta... Francamente, amigos, é altura de saltarmos das reticências para os pontos de exclamação! A expressão costumeira fala de uma tal "hora de fazer soar os alarmes". Ora, é mesmo aí que estamos. É hora de bater nos sinos, fazer dos tachos tambores, acionar um buzinão do tamanho da Catedral a ver se a malta acorda, caramba.

Algumas falhas já tinham sido topadas há muito. Não é preciso ser catedrático para perceber que, com as saídas de Nélson Semedo, Lindelof e Ederson, a equipa fica mais frágil. A defesa está curta a cortar jogo adversário e curta a construir jogo nosso. Se somarmos a isso a malapata de lesões... Sem Fejsa, o nosso meio-campo faz lembrar aquelas paisagens idílicas onde alguém se lembrou de plantar uma autoestrada. Pois, mas isso já se sabia. O que não se tinha visto ainda era o ataque a emperrar de tal forma. Zivkovic teve uns momentos de gabarito, Grimaldo fez uns chutos perigosos, mas em geral a equipa mostrou-se, como hei de dizer?, aborrecida. Não há pior coisa, caros amigos, do que ver o nosso emblema, o nosso Glorioso do coração, a trocar bolas óbvias, sem verve, sem brilho, desalegremente como até me custa pôr aqui por escrito.

Por isso é que era tão importante este jogo no Bessa. Quando o desânimo espreita, quando a tristonhice começa a insinuar-se, o melhor é mudar logo a cassete. Começámos bem para isso. Um daqueles centros cirúrgicos de Zivkovic encontra Jonas na área, e o mestre brasileiro faz um contrapé de cabeça: golo, golo. Mas, a partir daí, tal e qual como no jogo europeu com o CSKA Moscovo, perdemos ânimo e deixámo-nos deslizar para o aborrecimento. Quando demos por nós, o Boavista tinha empatado. Nessa altura, catrapumba: frango de Bruno Varela, um frango daqueles à antiga. Acontece aos melhores, pois, e quanto a isso não há muito a dizer. A minha teoria, no entanto, é que as coisas estão ligadas, que o aborrecimento chama o azar.

Sim, há vários problemas. As saídas abalaram a defesa, o miolo do meio-campo parece sem pernas e com pouca cabeça e o ataque anda desinspirado. Mas, primeiro, é preciso voltar a acreditar. Pôr outra vez alegria no jogo da bola. Vamos a isso?