Premium Caro leitor, o que acha do negócio João Félix?

Caro leitor, o que acha do negócio João Félix?

DESCALÇO NA CATEDRAL - Chamem-me ingénuo, idealista, totó, mas sempre achei que um clube de futebol era para fazer futebol, não para fazer dinheiro.

Tenho andado a saltar entre jornais desportivos e os grandes calhamaços de economia, política, filosofia, a ver se consigo perceber a saída de João Félix do Glorioso para o Atlético, mas confesso que ainda não percebi patavina. Depois de queimar as pestanas mergulhado em páginas monumentais que me elucidam sobre tanta coisa, desde o fetiche da mercadoria ao sentido da vida - sobre tudo, dá impressão, exceto sobre a venda do miúdo ao clube de Madrid -, decido sair à rua e perguntar às pessoas o que acham do assunto. Algumas dizem-me que não há dúvidas que é um bom negócio, que cento e vinte milhões de euros é muito dinheiro, etc. É uma resposta que me deixa bastante para o pasmado. Chamem-me ingénuo, idealista, totó, mas sempre achei que um clube de futebol era para fazer futebol, não para fazer dinheiro.

Depois explicam-me, "Oh, bateram a cláusula de rescisão, o que é que se há-de fazer?" Aí está outra tirada que me tira do sério. É o discurso do o-que-tem-de-ser-tem-muita-força. E, no entanto, basta puxar um bocadinho pela memória: em março, o presidente do Benfica dizia que Félix era "um dos melhores produtos do futebol português", acrescentando: "em breve vamos aumentar a cláusula de rescisão". Em maio, já dizia que não era preciso renovar e que a cláusula era garante suficiente. E agora diz que os jogadores gostam de dinheiro...