Premium Can't buy me love

DESCALÇO NA CATEDRAL - Preciso como um relógio atómico, uma flecha na maçã, a mão de um cirurgião: aquele pé esquerdo de Grimaldo é uma maravilha, não é verdade?

Preciso como um relógio atómico, uma flecha na maçã, a mão de um cirurgião: aquele pé esquerdo de Grimaldo é uma maravilha, não é verdade? Que obra de arte, o livre que o nosso valenciano marcou aos atenienses. Aquilo até parecia ilusão, um efeito especial qualquer. E foi um efeito especial, mas a sério: o efeito especialíssimo de pôr a bola a rodar sobre si própria, com a velocidade certa para ir dar uma curva ao lugar do golo. Uma maravilha, sim senhor. Essa bola parada-nada-parada, ufa, salvou-nos o último jogo da Liga dos Campeões.

Antes disso, míster Vitória tinha vindo com uma conversa esquisita, falando de uns milhões muito bons que o Benfica ganhara com o terceiro lugar no grupo. Depois a equipa apareceu em campo com um futebol desgarrado, sem sistema e sem cabeça. O que é que interessam os tais dos milhões? Somos um clube desportivo, não um fundo de investimento, caramba. O que se pede ao Benfica é que jogue bem à bola, que lute por títulos lá fora e cá dentro e que, em geral, esteja à altura da sua história gloriosa. Temos craques no plantel, gente capaz de resolver jogos de um momento para o outro - penso em Jonas, Rafa, Zivkovic, Gedson, Félix ou Grimaldo, por exemplo -, só nos falta uma equipa. É triste pôr as coisas nestes termos? Sim, pois é, caros amigos, mas é exatamente aí que estamos.