Premium Achamos bem que o clube controle a SAD. O problema é que isso já acontecia

Achamos bem que o clube controle a SAD. O problema é que isso já acontecia

Apesar de tudo, há o futebol. O jogo propriamente dito. Talvez só isso nos consiga limpar a cabeça de Leipzigs esquisitas e OPA"s opacas

Um melão imenso, estrondoso, astronómico, caramba. Um galo de proporções estratosféricas, um fenómeno pouco menos que paranormal. Aos noventa minutos... Estamos na Liga dos Campeões, sob os holofotes do mundo inteiro, a ganhar dois-zero fora, um resultado que nos abre uma janela para a glória europeia, e deixamo-nos empatar? Aos noventa e seis minutos? A sério? Como é possível? Já revi a coisa duas, três vezes - em câmara lenta, de diferentes ângulos - e continuo sem perceber... Como é que foi possível? Como é que desperdiçámos uma vitória europeia assim no finalzinho? "Há coisas que não se explicam", disse Vinícius, e talvez tenha razão (embora isso não ajude propriamente).

Num dos contos policiais do Padre Brown, Chesterton escreve que "o espírito moderno mistura duas ideias diversas: o mistério no sentido do que é maravilhoso, e o mistério no sentido daquilo que é complicado." Receio que a quarta-feira de Leipzig - um desastre ao mesmo tempo horroroso e simplicíssimo - tenha acrescentado um terceiro sentido ao mistério: o do incrível, do inimaginável, do inexplicável. Senão, digam-me, queridos leitores: o que poderá fazer uma equipa oferecer um jogo daquela maneira? Cansaço, desânimo, azar, verdura?