Premium A versão lusa do impossível

Jacinto Lucas Pires

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"Era bonito ser histérica" é o título de uma crónica imortal de Nelson Rodrigues. Diz o escritor que as mulheres de 1915 tinham "um repertório de gritos que as novas gerações não usam", que elas "se esganiçavam, e rolavam pelas cadeiras, ou sapateavam como espanholas".

Lembrei-me dessa prosa ao ler as reações à exibição de Cristiano contra os suíços. Afinal, amigos, a moda da histeria não se perdeu para sempre. A cartola é uma peça de museu, o fraque envelhece naftalinamente nos baús, mas a histeria novecentista ressuscitou. A diferença é que agora são as manchetes que se esganiçam e rolam e sapateiam. Não digo isto para ser desmancha-prazeres; digo-o porque a histeria não ajuda o futebol da Seleção, e hoje há uma final para ganhar.