Premium Varandas a encolher à distância

A forma - insisto, a forma! - como em agosto tornou pública a redefinição de regras com os GOA. Varandas escolheu o caminho do ralhete a meninos rabinos

Frederico Varandas dá por si em mais um beco sem aparente saída e desta vez com as claques no seu encalço. Mas, foi o presidente do Sporting a colocar-se a si mesmo nessa posição em mais uma das suas já incontáveis decisões erráticas. É verdade que a violência não pode prevalecer e deve reconhecer-se coragem no ato de cortar com parte substantiva dos grupos organizados de apoio (GOA), mas a decisão nasceu tardia e é filha da falta de astúcia e da impopularidade crónica do presidente do Sporting, lacunas difíceis de resolver, que mais uma vez fizeram um nu frontal.

Já me cansei de dizer qual foi um dos mais garrafais enganos da atual gestão leonina: a forma - insisto, a forma! - como em agosto tornou pública a redefinição de regras com os GOA. Varandas escolheu o caminho do ralhete a meninos rabinos, agitando o documento a estufar o peito. Com isso, colheu de imediato o ressentimento e logo de seguida a perseguição férrea e feroz dos GOA, erro do qual colhe agora os frutos podres. O protocolo mencionado fora aceite por todas as partes, mas o clube anunciou-o de modo unilateral, quando se aconselhava um comunicado ou conferência em conjunto como prova de concertação. Mais: sem carisma, onda, resultados ou liderança minimamente consolidada, Varandas escolheu o pior enquadramento para meter ferro nos punhos. Agora, a decisão de corte radical pode ser legítima, mas agora é pouco mais do que inflamável. A insatisfação (ou aversão?...) de sócios e adeptos não afetos aos GOA atinge níveis equiparáveis à dos membros de claques, nas quais, atente-se, não há só meliantes, cadastrados e derivados. O comunicado que a Juventude Leonina entretanto emitiu é reflexo disso mesmo e nele constam - é verdade... - muitas das angústias, inquietações e irritações que são as da quase totalidade dos sportinguistas. Mas, não desculpa os excessos.