Paulo Fonseca e Maurizio Sarri transformam a liga italiana

Paulo Fonseca e Maurizio Sarri transformam a liga italiana

VISTO DE ITÁLIA - A crónica de Cláudia Garcia (Itália)

Qual catenaccio, qual Serie A defensiva, qual 1-0! Essa descrição do campeonato italiano pertence totalmente ao passado e só os mais desatentos ainda não notaram que, esta época, a Serie A promete ser diferente. Promete mais golos e mais emoções e promete desprender-se do seu passado.

Na guerra entre o jogo bonito e o resultado, por enquanto leva vantagem o jogo ofensivo de Sarri, de Fonseca, de Ancelotti e, em parte, até de Conte, que, de todos eles, é o maior apologista do resultado. A revolução da Serie A começou com o afastamento de Massimiliano Allegri, o expoente máximo do resultado e do pragmatismo, que levou a Juventus a cinco vitórias consecutivas no campeonato.

Não é justo criticar Allegri, mas simplesmente tinha chegado o momento de virar a página e transformar o campeonato italiano em algo mais apelativo para os adeptos, num momento histórico em que o futebol é cada vez mais um espetáculo de entretenimento. Se a Premier League está no topo das preferências, por algum motivo é. A Serie A não vai ser a Premier e nem deve perder a sua identidade tática, mas pelo menos os treinadores começam a perceber a importância de vencer através de uma ideia de jogo. A mentalidade importada por Sarri e por Fonseca.

O arranque desta época foi avassalador no quesito de golos, e a diferença em relação à anterior é enorme. A Roma de Paulo Fonseca já foi apelidada de verdadeiro "parque de diversões" do meio-campo para a frente. Depois de um arranque difícil, os jogos contra o Sassuolo e contra o Basaksehir tiveram oito golos dos romanos.

Ancelotti também meteu a quinta velocidade e o Nápoles não consegue parar de marcar: quatro golos à Fiorentina, três à Juventus, dois à Sampdória e dois ao Liverpool. A equipa de Carleto já soma 11 golos em quatro jogos. A Juventus de Sarri ainda não engrenou no campeonato, mas no jogo em Madrid, para a Champions, ficou evidente que já tem a mão de Sarri.

A média de golos não tem nada a ver com a época passada, o Nápoles lidera com três golos por jogo, enquanto na época anterior tinha apenas 1,9; a Roma aparece logo atrás, com uma média de 2,67 golos, quase o dobro dos 1,7 da época passada. Atalanta, Inter e Sassuolo somam todos uma média superior a dois golos por jogo e pouco importa se, este ano, as equipas também são propensas a sofrerem mais, porque a Serie A está melhor assim.

Não tenham dúvidas de que as trocas de treinadores funcionaram e de que, finalmente, em Itália já perceberam que o futebol é um espetáculo onde não conta só o resultado.