Exclusivo Talvez os parentes do futebol não caiam na lama com a chegada de jogadoras, treinadoras, comentadoras

Talvez os parentes do futebol não caiam na lama com a chegada de jogadoras, treinadoras, comentadoras

FOLHA SECA- Opinião de Carlos Tê

Um dia, ao passar os olhos por um sonolento Belenenses-Marítimo, dei-me conta de que alguma coisa não batia certo, e não era o desolado e triste estádio do Jamor, nem a extravagante nomenclatura B-SAD, uma dissidência neopentecostal dum histórico clube português. Era o som da emissão, sem uma única voz masculina no painel.

A Sport TV tinha destacado um trio feminino para um jogo de primeira liga: narradora, comentadora, repórter de campo. Pareceu-me que todas desempenhavam bem a tarefa mas, ainda assim, a sensação de anomalia em curso não me largou. E, no entanto, aquelas profissionais seguiam o cânone em vigor, com realce para a pivô, subindo o arco vocal da emoção no momento do golo, como faziam os relatadores da rádio nas idas tardes de domingo.