Premium Messi, o pequeno bully de Félix

A linguagem corporal de Messi lembrou uma demarcação de território, um aviso ao "new kid on the block"

Foi caricato e inesperado o bullying de Lionel Messi sobre João Félix no fim da primeira parte do Atlético Madrid-Barça da supertaça espanhola. Caricato pelo estereótipo do meia-leca autoritário atazanando o miúdo recém-chegado que se aventura no recreio sem pedir licença. Inesperado por não encaixar na imagem do Messi bom rapaz, favorito da crítica e dos adeptos, cordeiro de marcadores implacáveis que, invariavelmente, acabam no papel de vítima. Durante a sua carreira, estima-se que o argentino arrancou aos seus adversários mil cartões amarelos e duzentos vermelhos. Além disso, teve sempre o cuidado de evitar arrufos, bafafás, encostos de testas belicosos. Tivesse ele metade da têmpera de Luis Suárez e não teria ascendido ao Olimpo com aquela candura mortífera, própria do génio incapaz de praticar o mal, só de o sofrer. Não se lhe conhece um gesto de arrogância, uma pose gratuita de triunfo, uma frase de auto-engrandecimento. Era - e ainda é - a antítese do arquirrival Ronaldo, X-Man cinzelando os abdominais para as câmaras de televisão, coleccionador de espadas do asfalto, alvo de alpinistas sociais, anunciante de champôs, coisas que passaram ao lado dum Messi mais caseiro do que mundano.