Exclusivo As grandes potências e o futebol

Carlos Tê

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FOLHA SECA - Opinião de Carlos Tê

Estados Unidos e China dominaram o medalheiro olímpico - sem surpresa, tendo em conta a base de recrutamento e o investimento de cada um. Mas quase pode dizer-se que o resultado é modesto se comparado, por exemplo, com Cuba e Nova Zelândia, com 11,3 milhões e 5 milhões de pessoas para 15 e 20 medalhas respectivamente, contra 113 dos EUA e 88 da China, num universo de 330 e 1398 milhões de almas.

As duas grandes potências dão cartas nas modalidades de pavilhão e pista mas, no futebol, por muito que tentem, não conseguem dar o salto quântico. Na China, a importação de jogadores e treinadores estrangeiros já estava em queda antes da pandemia. A estratégia incluía o lançamento das fundações dum viveiro que fornecesse, a longo prazo, uma selecção nacional à altura do novo império do meio - ou que pelo menos fosse presença regular nos Mundiais. Enquanto produziam o homem novo na forja dum socialismo regional, com vitaminas do capitalismo de Estado, criavam um berçário da bola que emulasse as glórias do berçário olímpico.