O Porto é paisagem

Um artigo de opinião de Carlos Pereira Santos.

De uma frase de João da Ega, personagem irreverente e mordaz da notável obra "Os Maias", de Eça de Queiroz, enraizou-se no conhecimento popular que "Portugal é Lisboa e o resto é paisagem". A frase não é bem esta, mas o sentido é. E realmente dá que pensar se isso não é mesmo verdade para algumas mentes mais perturbadas com o sucesso dos outros, dos que vivem longe da capital.

Pelo menos no noticiário do horário nobre de um canal aberto, não vou dizer qual por respeito ao bom senso, a guerra na Ucrânia ocupou mais de 20 minutos, logo a abrir. Fomos bombardeados com a guerra, mesmo que a notícia principal tenha sido um concerto dos U2 no Metro de Kiev. Sobre os milhares que pintaram uma parte do país de azule branco para exaltar o título justo do FC Porto, nem uma imagem. Ficou "para depois"...

Com todo o respeito por quem sofre com esta guerra estúpida, acho que não estiveram bem. Há um ano não foi assim e havia uma pandemia. Enfim, fez o Porto a festa, azul, da cor do céu e do mar, festa que se estendeu ontem a Barcelos, onde o Gil Vicente escreveu o auto de uma vida com o apuramento para a Europa. São as últimas notícias de um campeonato onde ainda há coisas importantes por decidir. Arouca, Tondela, Moreirense, Belenenses (que ainda joga hoje) vão lutar pela sobrevivência (ver pág. 11). E desta guerra livrou-se ontem, com nobreza, o Vizela, uma das equipas que melhor trata a bola, com mais carinho, e que nem devia ter estado tão aflita.