Renato Sanches e os clones

Carlos Machado

Tópicos

Substituir o fenómeno mais recente do futebol europeu será complicado, principalmente se permitirem que fique a assombrar a casa

Renato Sanches passou como um raio pela primeira equipa do Benfica. Entrou num momento de viragem, ajudou a resolver uma série de problemas a Rui Vitória e, com o caminhar do tempo, foi-se transformando de potencial futuro craque em indispensável até se tornar um epifenómeno à escala planetária. Assinar pelo Bayern Munique foi a maior das jogadas, dele e de quem o guiou nas horas certas. O Europeu de todas as cambalhotas, para o qual estaria fadado a ser alternativa e acabou como estrela, ajudou a compor o ramalhete de uma época que ultrapassou todos os sonhos a uma velocidade tão vertiginosa que arriscaria multa num qualquer dos novos radares das autoestradas portuguesas.

O sonho do menino vai prosseguir na Baviera e por esses campos da Europa, mas na Luz ficou um problema sério: convencer os adeptos de que ele foi mesmo embora e Renatos não caem das árvores nem se semeiam nas academias. Mas também será de lembrar que já havia futebol antes dele e continuará a haver depois de ele partir. Ontem, Rui Vitória viu-se compelido a falar do tema. No lugar que era do Renato não vai jogar um clone, mas sim outro jogador com características próprias a quem apenas poderão pedir aquilo que for capaz de fazer. Vitória diz que o Benfica não contratou cópias e tem razão, embora Cervi seja, para já, o que de mais parecido se podia imaginar como substituto de Gaitán.

Se Renato Sanches foi uma aparição, desafio valente será não deixar que se transforme em assombração.