Populismo

Carlos Machado

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Fraturar o Sporting em tempo de apelo à mobilização não é apenas uma má ideia, é uma ideia perigosa

O empolgamento populista de Bruno de Carvalho está a ser extremado e levado a um ponto perigoso. Partir do princípio político de que quem não está connosco está contra nós pode surtir efeitos mediáticos no momento da capitalização de dois êxitos - conquista da Taça de Portugal e roubo do treinador ao rival histórico - e quando se tem em mente o reforço de poderes referendando-se nas urnas, em eleições antecipadas, mas a execução pública de adeptos do clube que possam, eventualmente, fazer sombra não é um caminho seguro de se trilhar.

O Sporting tem uma direção legitimada por voto popular e mandatada para governar o clube segundo um programa sufragado pelos sócios, não para julgar ações ou opiniões de associados discordantes. A emoção e a euforia são más conselheiras, a crítica é livre, quem estiver na disposição de discutir políticas pode apresentar-se a eleições, mesmo quem não pretender chegar a esse ponto tem o direito de manifestar-se. Mesmo num país incapaz de funcionar sem governos maioritários e autocráticos, este não é nem pode ser um tempo de unanimismos.

Estou convencido de que Bruno de Carvalho não enfrentará, pelo menos nos próximos meses, a vaga de fundo de que fala Dias da Cunha com o intuito de o destituir do Sporting, mas numa altura em que apela à mobilização, promover fraturas entre adeptos só pode mesmo servir para o reforço da idolatria e de um projeto de poder pessoal. Partido quer-se o futebol e só quando se defende bem e tem uma equipa bem trabalhada para jogar em contra-ataque.