Nome de águia

Carlos Machado

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Na primeira aparição pública à Benfica, Rui Vitória revelou inteligência e maturidade. Para já, entrou a ganhar

O novo treinador do Benfica chegou à Luz pela mão do presidente, mas previamente condenado a ter de conquistar a maioria dos adeptos, já que um passado benfiquista não é suficiente para aplacar mágoas e sentimentos de vingança provocados pela saída de Jorge Jesus, mantendo-se viva a discussão se saiu pelo próprio pé ou foi empurrado. De véspera, Luís Filipe Vieira teve o cuidado de abrir o caminho a Rui Vitória, deixando claro que não é homem para decidir por impulsos. Reforçou a ideia de o projeto estar à frente dos nomes e, na passada, respondeu a quantos defenderam a contratação de Marco Silva, ao jeito de retaliação.

A escolha de Rui Vitória aparece desde o início colada a uma projetada mudança de paradigma, fazendo da formação bandeira de futuro, ideia simpática para agradar às massas, mas irrealista de ponto de vista desportivo, pois toda a gente sabe que é de todo impossível de um ano para o outro pegar em cinco jogadores da academia, pô-los a jogar e continuar a ganhar. Foi no arrefecer dessa ideia de uma aposta incondicional na formação que Vitória começou a pontuar. O treinador anunciou ambição, mas não se esqueceu de referir o principal objetivo da temporada: o tri. Do mesmo modo avisado, deixou clara a intenção de não mexer no que encontrar bem feito, aproveitar o sistema de jogo e a estrutura da equipa e ir colocando cunho pessoal com o passar do tempo. Para além de ter nome de águia, vê longe. Ah! Está desejoso por medir forças com Jorge Jesus mas sem que nenhum deles conte a sério. Importante será o Benfica-Sporting.