Não dá para fiar nos 30 pontos

A partir de agora só a matemática prova que os jogos valem o mesmo. No campo deixou de ser verdade

Quando esta noite Belenenses e FC Porto fecharem a jornada, haverá dúzia e meia de pontos para disputar e um número elevado de hipóteses de alterações classificativas, embora não sejam previsíveis cambalhotas mirabolantes, pelo menos na metade de cima. A luta pelo título ficou circunscrita a dois e um assalto inesperado à Liga Europa só poderá aparecer via Taça de Portugal. É no último terço da tabela que as contas de complicam.

A margem teórica dos 30 pontos para a salvação afigura-se insuficiente ou pelo menos convém aos interessados terem a noção de que a margem não é de fiar. Basta recordar que na mesma jornada da época passada o Arouca (28) tinha mais 11 pontos do que o Tondela (17) e no final ambos atingiram os 32 pontos, descendo os arouquenses. Continuando a tomar por exemplo o Tondela, que já chegou aos tais 30 pontos do primeiro suspiro e nem sequer integra o rol dos seis menos favorecidos, é importante referir-lhe a situação classificativa: está aparentemente confortável no 11.º lugar mas tem apenas oito pontos de vantagem sobre o Estoril (22). Como há um ano em 18 pontos recuperou 11 ao Arouca, percebe-se não haver ninguém a salvo do décimo posto para baixo.

Os últimos seis jogos valem tanto como os anteriores mas só a matemática pode garanti-lo. No campo é diferente, os pontos são pressionados e sofridos. A sobrevivência dos clubes mexe com a dos jogadores. Precisam de paz, mas entre eles é mais fácil. Desde que não joguem com os grandes...