Layún, o faz-tudo

Carlos Machado

Tópicos

Ficar com o mexicano é um tiro certeiro, mas não dispensa a contratação de um lateral-esquerdo de grande qualidade

Ao garantir a continuação de Miguel Layún, o FC Porto dá um passo sério e importante na reconstrução do plantel para a próxima época, porque se trata de um valor seguro. O mexicano é um verdadeiro jogador de plantel, que em grande parte da época ora finda apresentou um rendimento extraordinário, sendo capaz de jogar onde precisaram dele. Foi lateral-esquerdo, defesa-central, falso médio-ala e até defesa-direito, único lugar onde tinha rotinas quando chegou ao Dragão. Ter as tais rotinas e ser um jogador de seleção não foi suficiente para lhe abrir vaga, porque para o lugar tinha sido contratado Maxi Pereira. Nada que o assustasse, fez-se à vida e mostrou-se de grande utilidade nas outras posições, ao ponto de causar estranheza ao próprio selecionador do México, incapaz de ver nele mais do que um lateral-direito.

Terminada a parte da recontratação, levanta-se outra questão, a de poder estar a ser construída uma mentira em torno do mexicano. Um plantel de topo requer um esquerdino como lateral e o FC Porto já tinha essa falha em janeiro e não a colmatou. Porquê? Porque Layún disfarça bem a falha, talvez até renda mais do que o esperado quando foi contratado, mas nunca será o especialista. Layún deveria ser o faz-tudo, não uma âncora do sector. Foi a polivalência, a capacidade de jogar indiferenciadamente à esquerda e à direita, ou até no meio da defesa, que fez dele (ou ainda faz) um potencial alvo da cobiça do Real Madrid. Se lhe estiver reservado esse papel, então sim, o FC Porto poderá ter um grande plantel.