Premium Soares, vontade e banco

Carlos Machado

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O que terá levado Soares a não rematar aquela bola pela qual lutou como um doido durante os 27 minutos que esteve em campo? Provavelmente por ter falhado as duas oportunidades anteriores.

A vitória do FC Porto no Bessa, arrancada no último suspiro com a particularidade de terem sido os três jogadores saídos do banco os últimos da equipa a tocar na bola, revelou um pormenor com o seu quê de anormalidade. O tempo escoava-se e Soares, ponta de lança destemido e goleador, tinha a baliza à mercê e endossou a responsabilidade a Adrián López, que tentou mas não marcou, indo a bola ter com o pé esquerdo de Hernâni.

O que terá então levado Soares a não rematar aquela bola pela qual lutou como um doido durante os 27 minutos que esteve em campo? Provavelmente por ter falhado as duas oportunidades anteriores, uma bola caída no pé direito na pequena área (de primeira mas ao lado), e uma receção com rotação e disparo forte de alça levantada. Tiquinho é um jogador experiente, dele não se espera, mesmo depois de ter falhado duas ações, o não assumir de uma bola à morte. Não é expectável que "se corte", como se diz nos meios do futebol. Há uma explicação: uma ansiedade anormal gerada pela inesperada passagem pelo banco.

A 24 de novembro, antes da eliminatória da Taça de Portugal com o Belenenses, e tendo-o indisponível para a Champions, Sérgio Conceição afirmou que jogaria ele e mais dez. Elogiou-lhe a postura, percebeu-se que a dor de não ter sido inscrito na Liga dos Campeões está ultrapassada, e a compensação feita titularidade. Quatro dias após o jogo desgastante com o Schalke, ante a um Boavista de barba rija, Sérgio optou pelo modelo Champions e Soares ficou de fora. Na cabeça dele, como na de muita mais gente, não terá feito sentido, por estar mais fresco, por segurar melhor a bola do que Marega e por estar habituado a jogar sempre.

Vítor Bruno, adjunto de Conceição, até elogiou a "forma fabulosa" como ele aceitou o banco, estando a marcar golos atrás de golos e tendo sido decisivo com o Braga. Mas houve uma nuance: aceitou a decisão, entrou com vontade de ajudar, mas também de mostrar que devia lá estar desde o início. Há jogadores a quem o banco perturba mais do que a outros. Por isso tremeu quando tinha de decidir. . É humano e legítimo. Tão legítimo quanto as opções do treinador.