Ronaldo e más consciências

Prémio a Modric tornou-se claro após o abandono de Iniesta

A UEFA atribuiu o prémio de Jogador do Ano da época passada a Luka Modric não por uma questão de justiça mas na sequência de um processo de más consciências. Cristiano Ronaldo e Lionel Messi têm dominado as distinções individuais por serem, efetivamente, os melhores. Os dois maiores craques da atualidade não devem favores aos organizadores dos prémios e escolher entre um e outro tem sido uma inevitabilidade. Talvez também um tédio.

Por culpa deles, mas só por serem os melhores, houve grandes jogadores que apareceram e se retiraram sem uma Bola de Ouro, um The Best, um FIFA Player of the Year. Iniesta foi o caso mais recente e mais comentado a nível global. É um futebolista soberbo, dos que inclinam o campo, mas quando apareceu havia Ronaldo Fenómeno, Ronaldinho, Zidane; quando estes saíram de cena, já lá estavam Cristiano e Messi. Não teve vez nem há como beliscar-lhe a carreira notável.

O primeiro passo para adivinhar que a escolha de ontem recairia em Modric foi dada pela "France Football", criadora da Bola de Ouro, após o anúncio da saída de Iniesta do Barcelona. Ocupou a capa seguinte, pedindo-lhe desculpa por nunca ter sido galardoado. De repente, os agitadores do negócio alimentaram a ideia de premiar jogadores de excelência antes que acabem. Como os óscares de Hollywood atribuídos a este ou aquela antes que morram. Para esses casos cria-se prémios de carreira.

O melhor jogador da Europa da época passada, forma eufemística de dizer melhor jogador da Liga dos Campeões, não foi Modric, foi Ronaldo. Como já ganhou muitas vezes, saiu um prémio de consolação para o croata. Que se torna favorito ao The Best e à Bola de Ouro. Uma questão de oportunidade. Antes que seja tarde.

PS - Mesmo sabendo que não ganhava, Ronaldo deveria ter estado presente. Marcavapontos.