Patrício, Neuer e gratidão

Guardião do Sporting vai-se embora e tem é de se rir de quem o empurrou

Rui Patrício é um grande guarda-redes e foi responsável por manter o Sporting a lutar em várias frentes até perto do fim, tantas foram as vezes em que fez a diferença e desequilibrou os pratos da balança para o lado de Alvalade. Uma chuva de tochas a arder em dia de decisão, os confrontos na Madeira e as agressões de Alcochete foram tudo quanto este Sporting conseguiu juntar como símbolos de gratidão para lhe ofertar. Ir-se embora não é uma saída, é a única saída. E tem mas é de se rir de quem o empurrou.

Portugal não tinha um guarda-redes de classe mundial desde a saída de cena de Vítor Baía. E a apreciação não tem a ver com a Seleção, dependente de escolhas (Scolari não quis Baía nem no ano em que foi eleito o melhor da Europa); vai para além disso, diz respeito ao futebol português e ao reconhecimento internacional. Tal como acontecia com o portista, a nível externo não se fala de guarda-redes portugueses, fala-se do guarda-redes português, de Rui Patrício.

Continuemos na baliza. O alemão Neuer é um dos melhores de sempre. Sofreu uma lesão grave e está sem jogar há oito meses. Durante esse tempo, no Bayern Munique todos o apoiaram e trataram com carinho. Nem sequer terá passado pela cabeça de alguém tentar apressar-lhe a recuperação quando a Champions parecia estar ali à mão de semear (o substituto até deu barraca frente ao Real Madrid). Teve paz para trabalhar, acha-se recuperado e foi chamado à seleção, apesar de a Alemanha ter um substituto com a qualidade de Ter Stegen. Vai jogar o próximo particular para aquilatar se está mesmo em condições de ir ao Mundial. Porque só irá para ser titular. Foi o selecionador quem o disse. Isto, sim, é gratidão. É saber estar.