Parar o futebol

Carlos Machado

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A indústria do futebol português ameaça estar pronta para ir à guerra, fazendo fé nas palavras de Carlos Pereira, presidente do Marítimo e porta-voz dos clubes após mais uma Cimeira dos Presidentes. Parar o futebol - atente-se que não se trata do futebol profissional, mas sim de todo o futebol - da forma ligeira como o foi anunciado, soa mais a afronta pontual em tempo de discussão do Orçamento de Estado (terá ido tão longe o pensamento estratégico?) do que a ameaça real.

Os três cavalos de batalha dos clubes radicam no dinheiro: mais segurança nos estádios com menos custos, e nem pensar em porta fechada porque é triste - é mesmo! - e dá... prejuízo; redistribuir verbas das apostas e estarão em causa 20 milhões de euros; pagar menos pelos seguros de acidentes de trabalho dos jogadores. Não está em causa a legitimidade das reivindicações, que Pedro Proença teve de explicar a posteriori para não haver dúvidas sobre o que está exatamente em causa, argumentando até com a importância do futebol no PIB do país. As matérias não são novas e fica a certeza de que os clubes têm pressa e dizem estar unidos.

À parte a cimeira, Braga e V. Guimarães trocaram alfinetadas sobre o VAR. António Salvador falou de um golo duvidoso do rival num jogo em que perder 3-1 ou 3-2 não interferia na classificação. Júlio Mendes protesta por cinco pontos que entende terem sido sonegados ao Vitória e fala no penálti não assinalado no Braga-Rio Ave que poderia ter tirado um ponto aos bracarenses. Ou seja, no entender de Mendes a classificação em vez de 17-10 (em pontos) deveria registar 16-15. Salvador estranhou a reprimenda ao VAR num jogo do Braga líder e diz que vai estar atento. Este é o futebol real. E de certeza que um bate-boca destes desperta bem mais atenção do que uma ameaça de parar o futebol.