Há monstros e monstros bons

Há sempre gente indesejável a atravessar-se nos textos quando se pretende escrever sobre futebol

Desafiado a caracterizar-se, o benfiquista Fejsa considerou que os adjetivos "monstro", "inteligente" e "muro" lhe assentavam bem. É verdade! Convidado a falar de futebol, o primeiro-ministro António Costa reafirmou que o adora "dentro das quatro linhas" mas detesta tudo o que se passa fora delas. Apesar de tudo, mostrou-se aliviado porque na Grécia um dirigente entrou em campo de pistola e cá "ainda não chegamos a esse ponto". É a verdade preocupante! Mas preocupante a sério, como se percebe pelos insultos de Bruno de Carvalho a António Salvador depois de uma azeda troca de argumentos sobre dinheiros que vão para além da transferência de Battaglia.

Estará fora de questão que António Salvador e Bruno de Carvalho puxem de pistola um para o outro depois de amanhã, quando Braga-Sporting pelejarem pelo terceiro lugar, mas arrastar o nível das discussões até ultrapassar os limites da sanidade e atingir a baixaria pode ter consequências graves. A irracionalidade das turbas em fúria é difícil de controlar. Um penálti bem ou mal assinalado, um golo anulado ou até fora de jogo tirado de esguelha passa de decisão errada a potencial foco de conflito.

Os monstros que interessam ao futebol não são esses. São os do início do texto, os futebolistas de exceção, os portadores de capacidades incomuns, como o multicampeão Fejsa, ou o miúdo Dalot que tem tudo para ser um fenómeno, ou os manos Horta ou o imponente Rui Patrício. Só queria escrever sobre esses, mas há sempre gente indesejável a atravessar-se nos textos que só pretendiam ser de futebol!