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Carlos Machado

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Benfica precisa de ir ao mercado com urgência e o azul vivo do FC Porto leva o Sporting a sentir-se compelido a fazê-lo

A viver um momento invejável na carreira, Aboubakar contou à revista do clube ter regressado ao FC Porto por influência do treinador - livrar-se do que saiu e ouvir as promessas do substituto - e pelo sistema de jogo. Declaradamente, gosta de jogar em 4x4x2, mas tem-se visto a mesma disponibilidade, alegria e rendimento quando Sérgio Conceição introduz alterações no esquema. Importante mesmo, para ele e para o clube, é a bola estar a entrar, a classificação corresponder ou até superar os anseios, o dia a dia ser de felicidade. O mundo do Dragão é mais azul, o facto de não ter contratado no verão passou de preocupação a arma de arremesso, porque o treinador pegou em quem tinha e está a fazer flores. Mercado de inverno pode até ser motivo de conversa interna, mas não transparece.

Ao contrário, no Benfica os resultados e o futebol exibido aconselham a reunir as lecas para investir forte e rapidamente, de modo a rendibilizar o mais cedo possível aqueles que chegarem para compor um plantel mal calculado. Atacar um inusitado penta com um naipe de jogadores bem mais pobre do que aquele que rendeu o tetra foi um risco demasiado ou mal calculado. Alguém trocou o realismo pela fé, mas essas coisas não dão certo.

Ficou entretanto a saber-se que o poderio evidenciado pelo FC Porto no clássico em Alvalade revelou no Sporting um surpreendente apetite pelo mercado. O plantel parecia bom e equilibrado, o onze é comprovadamente bom, mas Jesus necessita de mais. Precisaria sempre, por lhe estar nos genes o encanto e o desencanto fáceis com o rendimento dos jogadores, mas porque se sentiu exposto. E a bola não entrou...