Sem projeto

É tempo dos candidatos à liderança do Sporting apresentarem listas e projetos, mas Sousa Cintra é quem está a tomar as decisões. Se for a votos, ganha

O processo eleitoral do Sporting está a entrar na fase de ser levado a sério. Depois de anúncios vagos e variadíssimas declarações de intenções à boleia do turbilhão provocado pela destituição de Bruno de Carvalho, é tempo de oficializar candidaturas, apresentar listas e projetos. Todos sabem ser esta a pior altura possível para um clube profissionalizado ir a votos, porque há decisões de capital importância a ser tomadas por pessoas que não têm nesta altura um projeto de futuro para o Sporting, enquanto aqueles que o têm, ou dizem ter, limitam-se a dar palpites ou a apoiar as decisões de Sousa Cintra.

O ex-presidente ainda ontem disse não ter a intenção de ir a votos, mas está a conseguir vitórias notáveis na gestão da crise. O estado das coisas era tal que qualquer melhoria no quadro existente seria sempre uma vitória. Depois de serem dados como casos perdidos, e de forma catastrófica para os leões, conseguir receber uns bons milhões por Rui Patrício e por William Carvalho, recuperar Bruno Fernandes e poder fazer dele bandeira, foram golpes de mestre. E Bas Dost é carta cada vez mais próxima do baralho, ou seja, o Sporting acabará por ter um plantel capaz de se manter na luta dos grandes.

Em setembro, o Sporting vai ter um presidente com um projeto próprio a lidar com o trabalho de uma comissão de gestão que, teoricamente, não podia ter outro objetivo que não fosse impedir a catástrofe. A menos que Cintra ceda às pressões e acabe por prolongar a comissão de serviço indo a votos. Feliz da vida parece andar.