Dérbi? Guerra de milhões, isso sim

Com os novos valores da Champions, em causa pode estar o domínio do futebol português para os próximos anos

De repente, o cidadão futebolizado acorda e percebe que, afinal, tem andado um pouco distraído a agitar a bandeira e não tinha interiorizado a verdadeira importância do dérbi de Alvalade. Não vale só três pontos e o segundo lugar, pode originar o início de um domínio a prazo alargado. Os novos valores da Liga dos Campeões são bonzinhos para os emblemas ricos da Europa, mas quase estratosféricos para o nosso meio. Atente-se no caso do FC Porto putativo campeão nacional: entra direto e garante à partida perto de 50 milhões de euros; bastar-lhe-á repetir uma Champions como a desta época para poder acumular uns 70 milhões.

O companheiro de percurso terá de saltar dois obstáculos para o ser de facto, podendo também arrecadar uma maquia considerável. Ganhará mais se for o Benfica, um pedaço menos, mas ainda assim bom dinheiro, no caso do Sporting. Até para o Braga, pelo desempenho nos últimos dez anos, a aventura seria festiva, ficando perto dos 25 milhões de euros. Uma loucura!

Um clube português (ou até dois) que consiga repetir presença meritória na Champions em duas ou três épocas consecutivas acumulará dinheiro suficiente para se alcandorar a um patamar muito superior, para aumentar ainda mais o fosso entre grandes e os outros. O dérbi é uma batalha de muitos milhões.

Porque os ricos continuarão a não jogar sozinhos, no último terço da tabela a luta é diferente, mas não menos dramática. Não há rios de dinheiro em jogo, mas sim a sobrevivência.