Aí está o Ano I pós-Ronaldo

O Real é um esperado mar de dúvidas mas nada de roubar mérito ao Atlético

Eis-nos perante a primeira amostra das dificuldades que se adivinham para o Real Madrid no Ano I da era pós-Cristiano Ronaldo. Uma equipa cheia de dúvidas, desequilibrada, por vezes alucinada. Nada de espantar para quem perdeu a referência dos últimos nove anos. Mas antes de avançar no comentário é importante deixar já bem claro que não foi o Real que perdeu a Supertaça Europeia, foi o Atlético de Madrid que a ganhou.

A diferença entre os emblemas madrilenos esteve na identidade. O Atlético tem-na e nem precisa de Diego Simeone no banco para tudo rolar sobre esferas. Aquela mescla fantástica de raça, disciplina e trabalho tático, com espaço para a arte, é fantástica. E nunca se rende. Não é a melhor equipa do mundo, mas não tem medo de nada e defende de uma forma colossal.

Ao contrário do Atlético, o Real anda à procura de figurino. A saída de Ronaldo seria por si só traumatizante o suficiente para a estrutura da equipa tremer - eram 50 golos por ano todos os anos, como lembrou o ex-colega Toni Kroos -, mas juntar-lhe o abandono de Zidane piorou tudo. A saída do francês marca o fim de um ciclo iniciado por José Mourinho - travou o percurso de sonho de Guardiola no Barcelona -, depois bem ampliado por Ancelotti e recuperado por Zidane, após a falhada contratação de Rafa Benítez para romper com o modelo.

Lopetegui é mais um para rasgar com o passado recente. Que é vitorioso! Depois do começo, terá de pensar já ser mais importante o modo de acabar. Mas deixar Modric no banco, mesmo tendo uns dias de atraso na preparação e a cabeça a deambular entre Madrid e Milão, é piada de mau gosto!