Identidade

Carlos Machado

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Se a história contasse, o Benfica não teria saído vivo de Munique nem o Tondela tinha ganho no Dragão

Guardiola não entende as questões do favoritismo alicerçadas na história e tem toda a razão. Pelo prisma histórico, Tondela e Arouca não teriam ganho no Dragão e o FC Porto estaria na luta, em cima do Sporting e com o Benfica por perto. A verdade é que os anais do futebol escrevem-se nos relvados e o que se passou em campo legitima tanto a classificação da I Liga como o facto de o Benfica ter saído vivo e confiante de Munique, merecendo até mais do que aquilo que conseguiu, embora para registo estatístico sobre apenas o resultado.

Para memória de futuro próximo ficam as aflições do Bayern para sair de casa em vantagem, porque teve pela frente um adversário que jogou como gosta, sabe e quer. Ou seja, pôs em prática aquilo que treina, usando o conhecimento do adversário para ajustar pormenores de ordem tática, que até os oponentes mais modestos exigem, mas mantendo a identidade. Essa foi a arma. Primeiro, entrou em campo com uma predisposição otimista, não se encolhendo na estratégia nem na escolha das peças; depois, sofreu um golo antes de perceber que já estava mesmo a jogar os quartos de final da Champions, mas não se deixou perturbar. E acabou a dividir o jogo e a reclamar da atuação do árbitro por ação na área oposta e não na própria.

O valor atribuído aos plantéis mais a vantagem conseguida continuam a inclinar a balança das probabilidades para o lado alemão, mas o facto de chegar ao intervalo da eliminatória em condições de a discutir em casa é uma vitória para o Benfica. O resto vê-se já a seguir.