É um miúdo!

Carlos Machado

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Renato Sanches não resistiu à pressão e ia pondo em causa o objetivo do Benfica, mas houve alturas em que carregou a casa às costas. Há coisas que fazem mal

O Benfica passou incólume pela prova de fogo madeirense, mas foi obrigado a sofrer. Curiosamente, não por culpa exclusiva de um Marítimo composto por uma equipa de chutadores compulsivos, mas porque a pressão pesou em quem se esperava que mais pudesse pesar: o miúdo Renato Sanches.

Num jogo com a responsabilidade que aquele tinha, estando em causa um passo decisivo na luta pelo título, ser expulso aos 37 minutos, devido a um segundo amarelo, sem ter para isso uma razão de força, como evitar um golo adversário, por exemplo, mostra o quanto o barulho feito em torno de Sanches tem mexido com ele. No início da época era já uma aposta assumida, mas também, e ainda, um projeto de jogador em fase de formatação final. Estava lá o talento mas era preciso domá-lo antes de o deixar correr, saltar e jogar. Chegada a altura, entrou, mostrou o futebol de qualidade que se lhe anunciava e estaleca para aguentar com a responsabilidade. Houve jogos em que até carregou a casa às costas. Foi então que do espanto inicial se passou à especulação, ao ruído e aos sonhos de grandeza de uma iminente transferência por números mirabolantes.

O miúdo que se esforçou para ser futebolista e agarrou a sorte quando ela lhe passou à porta foi aguentando tudo. Tinha andamento de gente grande, fez-se titular, logo depois era intocável, internacional A, jogou na Champions. De repente o mundo passou a girar à volta dele. Ontem cedeu. Há coisas que fazem mal. É um miúdo!