É imperativo negociar bem

Carlos Machado

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A estrutura do futebol precisa de criar mecanismos de solidariedade até para com o próprio futebol.

Ajustar os contratos do futebol às novas realidades, prolongando os em vigor e adiando o início da validade dos seguintes, é uma medida tão óbvia que até soa estranho ter de ser regulamentada pela FIFA.

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Pois se a época, por razões extraordinárias, terá de ser estendida para além de 30 de junho, a única hipótese a considerar tem de ser essa mesma de alargar os vínculos. Salvo casos excecionais, como na NBA, em que um jogador livre pode fazer um contrato de dez dias renovável ou não, os acordos de época são balizados pelas datas de início e fim do trabalho. Se esta temporada será maior do que o habitual, a seguinte será mais curta.

A questão maior não é a temporal, porque a generalidade das ligas, se acabarem, como se espera que aconteça, encerrará em datas próximas e também será acertado a nível europeu, pelo menos, o arranque de 2020/21.

O problema são os salários e/ou a falta deles. Negociar rebaixamentos salariais exige muita prudência, muito diálogo e bom senso, porque não podem ser todos alinhados pela mesma bitola e os que mais ganham continuarão a ser mais poderosos e, talvez, até menos flexíveis. E não se podem esquecer os escalões mais baixos, aqueles em que se o jogador estiver dois meses sem receber, o senhorio bate à porta, como disse o italiano Alberto Paleari, do Cittadella (Serie B).

Numa altura tão especial como esta, será necessário encontrar vários mecanismos de solidariedade, um deles, se calhar o principal, com o próprio futebol. É necessário que pensem nisso tanto os clubes como os jogadores e restantes parceiros. É importante - fundamental! - que depois da pandemia exista um futuro.