Dois futebóis

Carlos Machado

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Em França já há bola a rolar, enquanto por cá se joga nos gabinetes uma guerra para tentar que ninguém se magoe

É de um campeonato da Europa, mais até do que de um Mundial, que se pode esperar por futebol de excelência, embora o alargamento do número de equipas, em estreia nesta edição, seja uma pequena traição à chancela de qualidade que tem marcado a generalidade dos Europeus, cujos participantes na fase final eram passados por crivo de malha apertada. Teremos de esperar para ver se a prevalência do negócio lesou muito ou pouco a componente que já foi a mais importante. O primeiro impacto foi animador. A prova arrancou com um só jogo e já vimos um golaço candidato a melhor da prova. Enquanto em França tentam cativar o mundo com o futebol dos relvados, por cá continuam as tramas que são especialidade da casa: as batalhas do futebol de gabinete.

O anunciado recurso do Belenenses ao processo que recolocou o Gil Vicente na I Liga, pondo a decisão em causa, terá o verdadeiro objetivo escondido por detrás do barulho mediático da ameaça pura e dura de virar tudo do avesso. Depois de a Federação Portuguesa de Futebol e a Liga terem decidido não recorrer e dar cumprimento imediato à sentença do tribunal, a discussão evoluiu para o patamar das consequências públicas: necessidade de alargar o campeonato principal e discutir a fórmula para o fazer. Do que não se falou foi das consequências particulares, daquelas de que António Fiusa fala a toda a hora e que podem incluir vários tipos de reparação. A paz estará dependente da diplomacia de Fernando Gomes e Pedro Proença. Terão de conseguir um compromisso do qual ninguém saia escaldado. E não será fácil.