Devagar que temos pressa

Carlos Machado

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Há federações e ligas a tentar salvar o futebol e outras a reclamar urgência no regresso aos relvados.

Por cá a Federação Portuguesa de Futebol avança com 4,7 milhões de euros para ajudar os clubes cumpridores a manterem-se à tona até o nível das águas desta cheia de doença, desespero e medo baixarem para níveis aceitáveis, não se sabendo sequer se a expressão como dantes voltará a ter uso.

Em Inglaterra, a Premier League vai adiantar rios de dinheiro aos clubes por conta dos luxuriantes direitos televisivos vincendos, ao passo que na Alemanha, onde já todos seguiram o exemplo do Bayern Munique e trabalham no campo (mesmo treinando de forma estranha), voltar a jogar é mais do que uma pressa, transformou-se numa urgência. Também lá, a ameaça de falência abate-se sobre grande parte dos clubes dos escalões mais baixos.

Fritz Keller, presidente da federação alemã, adotou um discurso catastrofista e diz ter a certeza do desaparecimento de alguns emblemas quando a crise terminar. Desse cenário resulta o anseio por um regresso rápido, à porta fechada que seja, com as condições possíveis, mas a bola tem de rolar. Quanto maior for a paragem, mais extenso será o rol das falências.

É impossível prever se jogar no início de maio será boa ideia e se o risco estará calculado numa medida razoável. É bom que esteja, como espero que o chegar-se à frente de federações e ligas para salvar os clubes e a indústria do futebol resulte. Com calma, sem atropelar o bom senso e tendo presente que ainda há muita gente a morrer todos os dias.

É claro que também temos pressa, sentimos falta da bola a correr. Saudades. Na edição desta sexta-feira - de certeza tem reparado na qualidade dos jornais que temos feito -, temos um exemplo: recordar Deco e a magia da bola, com qualquer das várias camisolas que usou, faz bem à saúde.