Confusão

Projeto do Sporting está gravemente ferido. Ver-se-á a seguir se é de morte

O até ontem incontestado e incensado, pela maioria esmagadora dos sócios, presidente do Sporting deu um passo em falso e instalou o caos. Suspendeu 19 jogadores e para ser coerente hoje deverá suspender o resto do grupo. Está criada uma situação sem igual que não vaticina nada de bom para o Sporting. Esta semana, na Grécia, Evangelos Marinakis também mandou o plantel do Olympiacos de férias e anunciou que a equipa de sub-20 jogaria o que resta da época. Mas há uma diferença: Marinakis é dono do Olympiacos, Bruno de Carvalho submeteu-se a sufrágio no Sporting e é assalariado da SAD.

O presidente-adepto viu o jogo de Madrid pela televisão, anotou as asneiras e não conseguiu controlar a fúria. Desancou os jogadores mas ficou de má consciência, tendo feito duas tentativas para minimizar os danos: um telefonema para a CMTV (o líder do Sporting pode ver a CMTV e os sócios não?) e uma declaração pública aligeirada à saída da Procuradoria-Geral da República. Não contava com a resposta dos jogadores e faltou-lhe jogo de cintura para a suportar. Suspendeu os subscritores de um texto ácido e hoje poderá ter de atuar de igual modo com os que só não o fizeram por não terem contas nas redes sociais.

Nada neste processo é normal. E se espanta a reação coletiva, por inesperada, não chega a haver verdadeiras surpresas quando Bruno de Carvalho fala publicamente ou escreve nas redes sociais. Desta vez expôs publicamente jogadores, entrou no balneário da pior maneira e deixou a porta aberta. Ainda assim, uma reação tão enérgica só pode ser explicada de uma forma: o plantel atingiu o limite da tolerância.

Não há remedeio à vista para tão grave situação. O projeto do Sporting está ferido. O passo seguinte será evitar que seja de morte.