A renovação das jovens promessas

A renovação das jovens promessas
Carlos Machado

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Manda a prudência que se renovem contratos com jovens valores antes que se mostrem. O pior, às vezes, é o que eles têm para mostrar

O Sporting está a tentar arrepiar caminho e a emendar erros recentes, alguns dos quais terão saído tentativas de corrigir dislates anteriores. Bruno de Carvalho anunciou as renovações de Chaby, Ponde e Betinho, agora agarrados ao leão por cláusulas de rescisão tão irrealistas quanto massajadoras do ego dos jovens jogadores. Milhões às carradas. Renovar com as jovens promessas antes de as colocar na montra, na perspetiva de delas poder vir a tirar reais compensações desportivas e financeiras, é um procedimento tão óbvio que até soa a estranho apresentá-lo como inovador, tão estranho como alguém não ter percebido que Bruma, Ilori ou Pedro Mendes não poderiam/deveriam estar à mercê de quem os quisesse apanhar depois do investimento neles feito pelo Sporting.

Rendibilizar a formação é mais do que uma boa ideia, terá de ser uma das vias para o desenvolvimento futuro, a par de um "scouting" atento e perspicaz, mantendo viva a arte de vender produto caro mas de qualidade garantida. Mas se tudo é assim tão fácil, por que razão o sucesso não está previamente garantido? Porque aparece um Eusébio, um Baía, um Figo ou um Cristiano Ronaldo de longe a longe e pelo meio vão sendo assinados atrás uns dos outros esperançosos contratos com os craques do futuro, a maior parte deles feitos antes de se saber se no momento do clique a promessa dará mesmo craque ou se será mais um perna de pau para ter de se colocar a custo no início de cada época enquanto durar o malfadado contrato. Nessas alturas, quando já se apostou muito e ganhou pouco ou quase nada, baixa-se um pouco a guarda, percebe-se que é mais seguro deixá-los provar primeiro se valem para renovar depois. E alguns fogem. A propaganda é bem mais fácil do que a gestão efetiva.