A guerra antes de abraços e beijos

A guerra antes de abraços e beijos

O futebol profissional parou. É boa ideia perceber quando é o momento de passar de prioridade a exemplo

Viver o acumular de horas cujo destino era ficar na história como o dia em que o futebol parou em Portugal foi uma experiência estranha, de uma tensão esperada e inevitável, como se estivéssemos a ir para a guerra. Não aquela guerra lembrada por quantos seguiram a bordo das Berliets até a um porto de embarque, de coração apertado e G3 no regaço. Esta é uma batalha diferente, contra um inimigo desconhecido, que tanto nos distrai pela ignorância como nos mata se acreditarmos ser só dos outros.

O futebol profissional, por ser na Europa a modalidade que mais dinheiro movimenta, tem alternado fintas com caneladas, passos certos com tropeções, misturado a vertente económica com a desportiva, tendo por fito único sobreviver. Estarmos perante uma pandemia mundial e vermos a UEFA e a FIFA a faiscar milhões e à beira de um conflito, porque adiar o Europeu para 2021 vai colidir com o novo Mundial de Clubes, é esclarecedor. Parar o grande futebol de Portugal por razões de saúde é ter uma noção de realidade apreciável neste tempo insano, é perceber quando se pode ou não estar entre as prioridades. E o futebol, com todo o seu poder, não é prioritário mas pode ser exemplar no comportamento, no contágio bom.

Estamos a viver uma experiência única. Nunca antes o futebol tinha parado deste modo, e a II Guerra Mundial foi ali mais ao lado. Agora vamos todos recuperar da pancada, tratar do importante e preparar o regresso. O futebol só faz sentido com gente a assistir, para tudo ser real os golos precisam de ser festejados com abraços e beijos, mesmo carecidos de autorização do VAR. A seguir... bom, a seguir pode haver aí um ou outro condicionamentozito ditado por quem paga. Faz parte.