A corrida dos Ferraris

Carlos Machado

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Slimani fez todo o sentido. Um dérbi vale mais do que três pontos mas este junta questões pessoais

As conferências de Imprensa de Jorge Jesus são cada vez mais interessantes. O mestre da tática - por vezes, quando as coisas não lhe correm de feição, também é mestre do álibi -, em Portugal é o único treinador que responde a todas as perguntas, explica as opções e deixa os segredos para o treino, que é o único lugar onde se tornam verdadeiramente importantes.

Questionar a saída de Slimani num jogo empatado faz todo o sentido para os adeptos, mas a resposta foi tão clara quanto a ideia que a originou. Numa partida de alta intensidade, por força do relógio a atingir o ponto de alta ansiedade, deixar o argelino em campo seria sempre uma operação de subtração. Se mantivesse a atitude cautelosa de ontem, tão contranatura nele - sem cotovelos e divididas vale metade! -, seria um a menos; caso se deixasse levar pelas reais necessidades da equipa, provavelmente perderia o dérbi.

A boa entrada de Barcos justificou a troca, o receio de ver um amarelo estava mesmo a perturbar Slimani e a ideia de perdê-lo para a receção ao Benfica mexia também com o treinador.

O Sporting aposta tudo no título, Jesus dedicou-se em exclusivo a esse propósito, mas há outra questão iniludível. O jogo com o Benfica vale mais do que três pontos, vale mais que um dérbi, é uma questão pessoal e até mete corridas de Ferraris, quem os sabe guiar e quem mais bólides destruiu. Era unilateral no início da época, depois do terceiro dérbi, é a dois.